Embalagens

Muitas cervejarias se preocupam mais com o marketing do que com a qualidade de seus produtos. Esta é uma afirmativa que lemos e ouvimos constantemente. De fato podem existir cervejarias, macros ou micros, com este pensamento, entretanto devemos lembrar que o marketing é uma peça fundamental nos negócios, sem ele não existe venda, sem venda não existe empresa, sem empresa não existe produto. Investir em marketing e dar-lhe a devida atenção é uma necessidade de todo empresário, de qualquer segmento.

Podemos definir embalagem como qualquer invólucro destinado a acondicionar um produto temporariamente visando sua proteção, transporte e armazenamento, pode ser uma caixa, envelope, bisnaga, blister, lata, garrafa, etc. Outras funções são informar e promover pois a embalagem é uma poderosa ferramente de marketing, é ela quem apresenta o produto ao consumidor, interage num primeiro momento e cria a identidade, podendo ser o fator decisivo na hora da compra. Uma pesquisa da ABRE (Associação Brasileira de Embalagens) revela que o consumidor não dissocia a embalagem do produto, considerando ambos como constituintes de uma mesma unidade, sendo a embalagem, ao mesmo tempo, expressão e atributo do conteúdo.

Existem duas classificações para as embalagens, a voltada para o consumidor com ênfase no marketing e a industrial com ênfase na logística, é a primeira que nos interessa, dentro do contexto do blog.

No design de embalagens costuma-se unir as habilidades do designer de produto às habilidades do designer gráfico, sendo que o primeiro cuida da forma em si, sua representação tridimensional, e o segundo do conceito visual, a apresentação gráfica. Porém não é necessário unir ambos especialistas quando falamos em embalagens padronizadas ou pré-fabricadas (determinadas caixas ou garrafas, por exemplo) onde apenas a apresentação gráfica precisa ser concebida, ou quando falamos em embalagens mais simples cujas formas tridimensionais sejam menos complexas. O designer gráfico analisará diversos fatores para se chegar a uma solução viável que agregue valor ao item através da personalidade e funcionalidade, estes fatores são custo do projeto, prazo para conclusão, material, produto a ser acondicionado, logística, fornecedor e, conforme mencionado, o marketing.

Para que se destaque no ponto de venda uma embalagem não deve apenas ser “bonita” uma vez que beleza é um conceito subjetivo, a apresentação do produto deve estar em sintonia com seu público-alvo, ser funcional, seguro e resistente. Para ilustrar esse afirmativa cito a apresentação da Dado Bier Double Chocolate Stout, embora bem conceituada (garrafa preta, fazendo alusão a uma gota, provavelmente de chocolate, e com ornamentos dourados), particularmente achei muito feia (não confundir conceituação com aparência). E além disso achei que simular uma tampa flip top, sendo que a tampa que veda é na verdade uma crown, não foi uma solução prática em termos de funcionalidade.

No caso específico das cervejas inúmeras possibilidades são sugeridas para chamar a atenção do produto, identificá-lo a um certo público e fazê-lo ter giro, criatividade não falta. Caixas de madeira, papelão ou até acrílicas, kits contendo copos e demais acessórios, tags, garrafas diferenciadas (tem a de uma famosa e caríssima cerveja, a Utopias, que imita um tanque de mostura), rótulos com acabamento especial ou até a ausência dele (caso da Trapista Westvleteren), garrafas dentro de latas ou cobertas por papel seda impressos (muito usual nas Kriek), vedações especiais, etc.

Comercialmente, para se chegar ao resultado esperado, o designer precisa avaliar outros aspectos que ultrapassam a funcionalidade e a estética, é preciso analisar fatores sociais, culturais, psicológicos, dentre outros. Cada cerveja tem sua proposta e está destinada a um público diferente, uma Belgian Tripel, por exemplo, jamais terá resultados positivos de vendas num bar ou mercado popular, independente de sua apresentação jamais concorrerá com uma Americam Lager “de massa” até por motivos óbvios (o preço), mas ao contrário poderá ter boa rotatividade em restaurantes finos, pubs e empórios, contudo é preciso atentar-se que nestes locais esta Belgian Tripel concorrerá com outras do mesmo estilo ou categoria de preço/qualidade, assim o designer precisará sugerir uma apresentação que mais se adeque nesse tipo de ponto de venda, que se destaque das demais. Este resultado ele conseguirá fugindo a alguns clichês, idealizando uma embalagem externa à garrafa ou uma proposta ousada e diferenciada em termos de rótulo. Ele precisará estar “antenado” ao mercado a fim de possibilitar este diferencial competitivo que é a embalagem, a forma pela qual a cerveja se apresenta ao consumidor, que se destaca em meio a tantas outras apenas pela sua “roupa”. Para completar também ganhará pontos a cerveja que reunir informações de contra-rótulo como um breve histórico da cervejaria, resumo de suas qualidades, sugestões de consumo, temperatura de serviço, indicação de prêmios se for o caso, etc. Tudo isso bem harmonizado num contexto estético, dando ao conjunto uma aparência exclusiva e possibilitando que a própria cerveja se venda, seja numa gôndola de supermercado, de um empório ou loja, na foto de um cardápio ou na página de um e-commerce especializado.

Por se tratar de um assunto extenso indico alguns sites sobre o tema embalagens para quem quiser saber mais: ABRE (Associação Brasileira de Embalagens), Revista Embalagem Marca, Guia da Embalagem.

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